In the next five years
ENERGIAS RENOVÁVEIS
UM SUBSTITUTO NATURAL VERDE PARA OS HIDROCARBONETOS
Janeiro, Fevereiro e Março de 2024
Revista Petrogás & Bio I No 0

Antes de abordarmos a temática sobre as energias renováveis comecemos pelas definições dos dois tipos de fontes de energia: as fontes de energia renovável são fontes naturais e têm a capacidade de se regenerar de forma contínua, sem necessidade de intervenção humana; a sua utilização tem baixa emissão de gases de efeito estufa, como o co2, por isso, muitas vezes apelidada de energia “limpa” ou energia “verde”.
As fontes de energia não renovável, ou combustíveis fósseis, têm reservas limitadas, são recursos que se esgotam, sendo que o seu processo de obtenção é mais complexo e os produtos derivados muitas vezes tem um grande potencial em emissões de CO2, aquando da sua utilização.
Embora pareça uma solução perfeita, a geração por energias renováveis tem uma grande limitação que esta neste momento a ser um motivo de preocupação e de estudos - o armazenamento; a maior parte desta energia não é facilmente armazenada o que significa que tudo que se produz tem que ser consumido, senão será perdida.
Uma das fontes de armazenamento é através de baterias que necessitam minerais raros e preciosos, também designados como “minerais caros “como o lítio em que a sua localização não é abundante em todas as geografias e a sua extracção tem efeitos ambientais colaterais que muitas vezes são alvo de polémica entres os habitantes e governos dos locais onde eles existem.
Falamos uma introspecção geral sobre o mercado energético mundial, estado actual, principais dificuldades que enfrenta e saídas para crise: O mercado energético mundial ainda está muito dependente dos combustíveis fósseis, com um forte ênfase nos países produtores de petróleo especialmente aqueles onde o PIB tem um peso significativo na receita gerada pelos combustíveis fósseis.
Contudo, todos os países estão a fazer um esforço para adoptar e desenvolver outras fontes de geração de energia, notando-se um maior empenho nos países não produtores de combustíveis fósseis.
As energias renováveis estão a ganhar força e já representam mais de um quarto da produção mundial de energia eléctrica. A Europa produz mais electricidade proveniente de fontes renováveis do que de combustíveis fosseis, marco atingido pela primeira vez em 2020 e que se manteve em 2021.
Top 10 países que adotaram as energias renováveis na sua matriz energética - Um dos motivos para esta transição energética é o facto da produção de electricidade associada a fontes de energia renovável ter baixas emissões de dióxido de carbono, em comparação com as não renováveis, estas emissões as principais responsáveis pelas alterações climáticas, que se manifestam através do aumento do nível dos mares, do au- mento da temperatura da atmosfera e da perda da biodiversidade.

A estrada é longa, mas os factos indicam que estão a ser feitos esforços mundiais para melhorar o ambiente e o planeta, com resultados visíveis.
A china lidera o sector energético em termos de produção e consumo, mas também na geração de energia renovável com uma geração de mais de 2,000,000 GWh em 2020 (entre Hidro, Solar PV e Eólica), sendo China, Estados Unidos e Índia os países que tem um maior índice de emissões de CO2. Em termo de sectores com maior índice de emissões de CO2 lideram os produtores de electricidade e calor, seguido da indústria e transportes.
Pela primeira vez na Europa, há mais electricidade a ser produzida a partir de fontes renováveis do que de combustíveis fósseis, sendo que Portugal ocupa a 3ªposição. Mais do que uma boa notícia, é também a certeza de estamos a caminhar em direcção a um futuro
mais sustentável.
África tem um grande potencial para geração de energias renováveis com maior incidência na energia solar e hidráulica, devido ao clima e a existência de grandes cursos fluviais. Contudo, existem factores que desaceleram o progresso da geração de energia por fontes renováveis em África como: a inexistência de políti- cas que incentivam a geração de energia por fontes renováveis, falta de investimentos para a sua implementação, os países produtores de petróleo não querendo prescindir desta receita por ser o maior contribuinte para o PIB, a inexistência de mercados livres de venda de energia o que desincentiva os investidores privados.

1. Situação actual do mercado energético no continente africano, particularmente Angola e países vizinhos.
Até que ponto o nosso continente poderá funcionar como uma alternativa ao petróleo russo, devido a invasão deste país a Ucrânia?
Os países africanos embora tenham um grande potencial, não tem capacidade financeira para suportar o investimento necessário para se tornarem grandes produtores de energia a curto prazo. A produção de petróleo já tem uma longa história e já tem os processos de produção consolidados e muitas vezes financeiramente suportados pelas grandes multinacionais, enquanto as energias renováveis dependeriam muito do capital e investimento dos governos locais que em muitos casos é escasso devido aos inúmeros compromissos que existem para atender a outras necessidades como a irradicação da pobreza, melhoria na saúde, educação e condições de vida em geral da população.
A geração de energia por meio da biomassa também poderia ser um potencial, uma vez que se produz bastante resíduos urbanos que podem ser convertidos em matéria orgânica. Contudo, também não há incentivos e políticas adequadas para o reaproveitamento dos resíduos industriais, e urbanos, como por exemplo como a segregação dos resíduos.
2. Angola - Estado actual do mercado energético nacional, principais problemas que enfrenta e o que tem que fazer para superar as dificuldades.
Angola tem maioritariamente a sua matriz de energia proveniente de energia hídrica que é uma das energias limpas mais antigas; o maior desafio está na utilização de combustíveis fósseis na indústria, cogeração (geradores usados para arrancar o sistema hídrico e consumo urbano) e no ramo de transporte.
Neste momento, Angola está a fazer parcerias com diversas empresas para aumentar a produção de energias renováveis que complementam a oferta já existente de produção de energia por fontes renováveis e não renováveis.
O mercado da exploração petrolífera em Angola teve uma desaceleração em 2019, devido as consequências do COVID-19 e da súbita descida do preço do petróleo em 2019. Angola era um mercado de exploração e produção maioritariamente em águas profundas que exige operações mais complexas e mais dispendiosas.
Assim sendo, para manter os níveis de produção é necessária uma reconversão para a exploração e produção onshore e da recuperação da produção em campos maduros já em produção, em adição a novas descobertas.
As energias renováveis seriam uma mais-valia a complementar a oferta e contribuir para um aumento do PIB. Nesta senda o MINEA e o MINREMPET têm uma estratégia conjunta para alavancar o mercado da energias renováveis. Foi inaugurada uma central energia solar fotovoltaica na Catumbela com capacidade de 188 MW seguindo-se a implementação de outra na Baia Farta com uma capacidade de 96 MW, uma central na Quilemba com capacidade de 35 MW, que servirá para fornecimento de energia as populações remotas do sul de Angola.
Estão planeados a construção de mais outras centrais no, Bié, Lunda Norte, Lunda-Sul e Moxico. Foram construídas barragens para aumentar a capacidade de geração de energia hidroeléctrica e foi assinado um memorandum de entendimento entre Angola e a Alemanha para produção de Hidrogénio, onde a Sonangol será o órgão do estado envolvido por parte de Angola.
3. A situação do ecossistema em Angola e as políticas de protecção ambiental que o país utiliza para proteger o ambiente.
Tal como muitos outros países Angola participou em 2022 na última conferência (COP27) sobre alterações climáticas e comprometeu-se adoptar medidas para redução das emissões de CO2 “matriz energética do país terá 72% de energia limpa e com zero emissões de carbono”; acções conjuntas entre o MINEA, MINREMPET e MINAMB. Existe um plano elaborado pelo MINEA para garantir a transição energética “Energia Angola 2025” que contempla vários projectos de energias limpas.
4. Consequências das sanções do petróleo russo para os países europeus que dependiam dos hidrocarbonetos deste país.
Os países europeus, principalmente os não produtores de petróleo, estão bastante empenhados em desenvolver o mercado de energias renováveis; a europa tem se mostrando um líder na evolução deste processo, existem políticas e incentivos a nível europeu para descarbonização da indústria, contudo ainda existe muita burocracia para que os beneficiários tenham a cesso a estes fundos o que torna implementação efectiva muito abaixo do que o previsto.
Dos países europeus podemos ressaltar a França a liderar na geração de energia nuclear, Luxemburgo na energia solar, eólica, biocombustíveis & resíduos e Estónia em Hídrica Existem projectos muito ambiciosos como produção de energia eólica offshore em países costeiros no mar do Norte, Espanha com muitos projectos em carteira em energia eólica e Portugal em energia solar fotovoltaica, aproveitamento de resíduos urbanos para geração de calor usado para aquecimento central de edifícios “Rede de distritos de aquecimento e refrigeração: uma solução inteligente para cidades inteligentes”.
UM SUBSTITUTO NATURAL VERDE PARA
OS HIDROCARBONETOS
Revista Petrogás & Bio I No 0
Janeiro, Fevereiro e Março de 2024

Antes de abordarmos a temática sobre as energias renováveis comecemos pelas definições dos dois tipos de fontes de energia: as fontes de energia renovável são fontes naturais e têm a capacidade de se regenerar de forma contínua, sem necessidade de intervenção humana; a sua utilização tem baixa emissão de gases de efeito estufa, como o co2, por isso, muitas vezes apelidada de energia “limpa” ou energia “verde”.
As fontes de energia não renovável, ou combustíveis fósseis, têm reservas limitadas, são recursos que se esgotam, sendo que o seu processo de obtenção é mais complexo e os produtos derivados muitas vezes tem um grande potencial em emissões de CO2, aquando da sua utilização.
Embora pareça uma solução perfeita, a geração por energias renováveis tem uma grande limitação que esta neste momento a ser um motivo de preocupação e de estudos - o armazenamento; a maior parte desta energia não é facilmente armazenada o que significa que tudo que se produz tem que ser consumido, senão será perdida.
Uma das fontes de armazenamento é através de baterias que necessitam minerais raros e preciosos, também designados como “minerais caros “como o lítio em que a sua localização não é abundante em todas as geografias e a sua extracção tem efeitos ambientais colaterais que muitas vezes são alvo de polémica entres os habitantes e governos dos locais onde eles existem.
Falamos uma introspecção geral sobre o mercado energético mundial, estado actual, principais dificuldades que enfrenta e saídas para crise: O mercado energético mundial ainda está muito dependente dos combustíveis fósseis, com um forte ênfase nos países produtores de petróleo especialmente aqueles onde o PIB tem um peso significativo na receita gerada pelos combustíveis fósseis.
Contudo, todos os países estão a fazer um esforço para adoptar e desenvolver outras fontes de geração de energia, notando-se um maior empenho nos países não produtores de combustíveis fósseis.
As energias renováveis estão a ganhar força e já representam mais de um quarto da produção mundial de energia eléctrica. A Europa produz mais electricidade proveniente de fontes renováveis do que de combustíveis fosseis, marco atingido pela primeira vez em 2020 e que se manteve em 2021.
Top 10 países que adotaram as energias renováveis na sua matriz energética - Um dos motivos para esta transição energética é o facto da produção de electricidade associada a fontes de energia renovável ter baixas emissões de dióxido de carbono, em comparação com as não renováveis, estas emissões as principais responsáveis pelas alterações climáticas, que se manifestam através do aumento do nível dos mares, do au- mento da temperatura da atmosfera e da perda da biodiversidade.

A estrada é longa, mas os factos indicam que estão a ser feitos esforços mundiais para melhorar o ambiente e o planeta, com resultados visíveis.
A china lidera o sector energético em termos de produção e consumo, mas também na geração de energia renovável com uma geração de mais de 2,000,000 GWh em 2020 (entre Hidro, Solar PV e Eólica), sendo China, Estados Unidos e Índia os países que tem um maior índice de emissões de CO2. Em termo de sectores com maior índice de emissões de CO2 lideram os produtores de electricidade e calor, seguido da indústria e transportes.
Pela primeira vez na Europa, há mais electricidade a ser produzida a partir de fontes renováveis do que de combustíveis fósseis, sendo que Portugal ocupa a 3ªposição. Mais do que uma boa notícia, é também a certeza de estamos a caminhar em direcção a um futuro
mais sustentável.
África tem um grande potencial para geração de energias renováveis com maior incidência na energia solar e hidráulica, devido ao clima e a existência de grandes cursos fluviais. Contudo, existem factores que desaceleram o progresso da geração de energia por fontes renováveis em África como: a inexistência de políti- cas que incentivam a geração de energia por fontes renováveis, falta de investimentos para a sua implementação, os países produtores de petróleo não querendo prescindir desta receita por ser o maior contribuinte para o PIB, a inexistência de mercados livres de venda de energia o que desincentiva os investidores privados.

1. Situação actual do mercado energético no continente africano, particularmente Angola e países vizinhos.
Até que ponto o nosso continente poderá funcionar como uma alternativa ao petróleo russo, devido a invasão deste país a Ucrânia?
Os países africanos embora tenham um grande potencial, não tem capacidade financeira para suportar o investimento necessário para se tornarem grandes produtores de energia a curto prazo. A produção de petróleo já tem uma longa história e já tem os processos de produção consolidados e muitas vezes financeiramente suportados pelas grandes multinacionais, enquanto as energias renováveis dependeriam muito do capital e investimento dos governos locais que em muitos casos é escasso devido aos inúmeros compromissos que existem para atender a outras necessidades como a irradicação da pobreza, melhoria na saúde, educação e condições de vida em geral da população.
A geração de energia por meio da biomassa também poderia ser um potencial, uma vez que se produz bastante resíduos urbanos que podem ser convertidos em matéria orgânica. Contudo, também não há incentivos e políticas adequadas para o reaproveitamento dos resíduos industriais, e urbanos, como por exemplo como a segregação dos resíduos.
2. Angola - Estado actual do mercado energético nacional, principais problemas que enfrenta e o que tem que fazer para superar as dificuldades.
Angola tem maioritariamente a sua matriz de energia proveniente de energia hídrica que é uma das energias limpas mais antigas; o maior desafio está na utilização de combustíveis fósseis na indústria, cogeração (geradores usados para arrancar o sistema hídrico e consumo urbano) e no ramo de transporte.
Neste momento, Angola está a fazer parcerias com diversas empresas para aumentar a produção de energias renováveis que complementam a oferta já existente de produção de energia por fontes renováveis e não renováveis.
O mercado da exploração petrolífera em Angola teve uma desaceleração em 2019, devido as consequências do COVID-19 e da súbita descida do preço do petróleo em 2019. Angola era um mercado de exploração e produção maioritariamente em águas profundas que exige operações mais complexas e mais dispendiosas.
Assim sendo, para manter os níveis de produção é necessária uma reconversão para a exploração e produção onshore e da recuperação da produção em campos maduros já em produção, em adição a novas descobertas.
As energias renováveis seriam uma mais-valia a complementar a oferta e contribuir para um aumento do PIB. Nesta senda o MINEA e o MINREMPET têm uma estratégia conjunta para alavancar o mercado da energias renováveis. Foi inaugurada uma central energia solar fotovoltaica na Catumbela com capacidade de 188 MW seguindo-se a implementação de outra na Baia Farta com uma capacidade de 96 MW, uma central na Quilemba com capacidade de 35 MW, que servirá para fornecimento de energia as populações remotas do sul de Angola.
Estão planeados a construção de mais outras centrais no, Bié, Lunda Norte, Lunda-Sul e Moxico. Foram construídas barragens para aumentar a capacidade de geração de energia hidroeléctrica e foi assinado um memorandum de entendimento entre Angola e a Alemanha para produção de Hidrogénio, onde a Sonangol será o órgão do estado envolvido por parte de Angola.
3. A situação do ecossistema em Angola e as políticas de protecção ambiental que o país utiliza para proteger o ambiente.
Tal como muitos outros países Angola participou em 2022 na última conferência (COP27) sobre alterações climáticas e comprometeu-se adoptar medidas para redução das emissões de CO2 “matriz energética do país terá 72% de energia limpa e com zero emissões de carbono”; acções conjuntas entre o MINEA, MINREMPET e MINAMB. Existe um plano elaborado pelo MINEA para garantir a transição energética “Energia Angola 2025” que contempla vários projectos de energias limpas.
4. Consequências das sanções do petróleo russo para os países europeus que dependiam dos hidrocarbonetos deste país.
Os países europeus, principalmente os não produtores de petróleo, estão bastante empenhados em desenvolver o mercado de energias renováveis; a europa tem se mostrando um líder na evolução deste processo, existem políticas e incentivos a nível europeu para descarbonização da indústria, contudo ainda existe muita burocracia para que os beneficiários tenham a cesso a estes fundos o que torna implementação efectiva muito abaixo do que o previsto.
Dos países europeus podemos ressaltar a França a liderar na geração de energia nuclear, Luxemburgo na energia solar, eólica, biocombustíveis & resíduos e Estónia em Hídrica Existem projectos muito ambiciosos como produção de energia eólica offshore em países costeiros no mar do Norte, Espanha com muitos projectos em carteira em energia eólica e Portugal em energia solar fotovoltaica, aproveitamento de resíduos urbanos para geração de calor usado para aquecimento central de edifícios “Rede de distritos de aquecimento e refrigeração: uma solução inteligente para cidades inteligentes”.

